A realidade para uma filha de Santa Clara é a que está no Evangelho: “O Reino de Deus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma de grande valor, vai, vende tudo o que possui e a compra.” (Mt 13,45-46)

Vida no Mosteiro




ESTRUTURA EVANGÉLICA DA ORDEM DE SANTA CLARA
E SUA FUNÇÃO CONTEMPLATIVA

 


Fundada e guiada por Clara e Francisco, a Ordem das Clarissas desenvolve-se sobre uma linha simples, perder-se nas profundidades de Deus: a linha cristã do Evangelho. Isso aponta para a comunhão com Deus através da pobreza integral e da caridade da comunhão sororal, que são elementos escolhidos e condições essenciais reveladas pelo seguimento de Jesus e vida cristã em si. Este gênero de vida evangélica, cristã, longe de restringir-se a uma série de preceitos e de conselhos, se move sobre uma linha de kénosis, esvaziamento de si e doação, em vista da koinonia, Comunhão de vida com o Pai e com as irmãs e irmãos, em Jesus, no Espírito.
 

A vida religiosa Clariana é uma vida cristã autêntica, que respira em toda a sua plenitude o mistério da humilhação de Jesus e como Ele, que desce da natureza de Deus para a de criatura humana, a nossa vocação aprofunda a kénosis (aniquilamento, esvaziamento) cristã numa condição de “profundíssima pobreza”, que é castidade, minoridade, pobreza e obediência; kénosis sempre em movimento descendente, ao qual corresponde o movimento ascendente da comunhão com o Pai e os irmãos.
 

A POBREZA INTEGRAL
O binômio Kénosis-Koinonia, que é o núcleo da mensagem evangélica, é o núcleo da Ordem. Seria vão dar atenção a outros aspectos de tipo claustral ou a práticas ascéticas, sem ter centrado este binômio que, tanto para Clarissas como para Francisco, é tudo.

Somos habituados a um conceito positivo da pobreza como virtude a conquistar e também a defender. Talvez nos distanciemos do alcance verdadeiro de uma expressão como “altíssima pobreza” de Clara. Se passamos da pobreza como torre de defesa, para a humildade, vazia, profundíssima pobreza (que traduz o “altus” latino), talvez comecemos a entrever verdadeiramente a estrutura da Ordem “menor” desejada por Francisco e Clara. Poderemos intuir o porquê de a Forma de Vida ser o Evangelho e a vida religiosa clariana ser expressa em um simples binômio: “modo de santa união e altíssima pobreza”.
 

A pobreza integral é um introduzir-se diretamente no mistério salvífico de Cristo: fazer-se participantes de seu aniquilamento, da pobreza por Ele livremente escolhida para o enriquecimento de muitos, morrer com Ele a mesma morte, fazer-se um com Ele na morte-vida, para que o nosso aniquilamento torne-se mistério de salvação para nós e dilatação da caridade, para a vinda do Reino. É o binômio evangélico pobreza-Reino, morte-vida, Kénosis-Koinonia que em Santa Clara, como em Francisco, delineia, dá alma e atinge o ápice do conceito de vida religiosa, plenitude de vida cristã: como Cristo, uma cruz pelo Reino.
 

Para Clara e as Clarissas Cristo é tudo, no sentido de que a maior bem-aventurança é “estar sempre com Ele”, como afirma Catarina de Bolonha. Talvez a expressão mais exata para indicar a espiritualidade das Clarissas seja “Teocentrismo em Cristo”. A clara percepção da inserção “em Cristo” permite à Ordem das Clarissas, ser embebida numa vivificante experiência, que jamais foi pronunciada noutras espiritualidades: a experiência de perene geração e refluir da alma no maravilhoso e fecundo jorrar do Amor. O dom da caridade de Deus, que Clara recebe abundante no seu refluir do Pai, é sempre o rosto de Cristo: é um Cristo que vive nela realmente, que desce no seu seio, como em Maria, tornando-a Mãe, irmã e esposa.
 

A vida de Santa Clara e das Clarissas é uma vida que se consuma em Cristo e por Cristo, na oração e na operosidade. As “devoções” franciscanas ao mistério de Belém e do Calvário não são tanto para Clara “devoção” (a menos que se entenda etimologicamente como “comunhão”), mas fazer-se “uma” com Cristo. Clara revive nele, com Ele, todo o seu mistério, do nascimento à morte. A função contemplativa da Ordem das Clarissas a empenha a passar a vida num contínuo penetrar na vida de Deus. Isso permite testemunhar a plenitude da experiência pascal na morada transcendente do Pai e do Filho; e os testemunhos constituem na literatura espiritual da Ordem um esforço que ultrapassa o objetivo de quem se propõe a fazer uma catalogação de fenômenos místicos ou diferentes graus de oração. Só um rápido olhar para a intimidade divina, como parece aos olhos das Clarissas, às vezes, ignorantes da teologia, mas penetrantes de amor, faz compreender de que experiência se trata.
 

Estas premissas são necessárias para compreender a diferença que há entre a Ordem das Clarissas e outras Ordens igualmente dedicadas à contemplação, desabrochadas no tronco monástico. A Ordem de Santa Clara de distingue da tradição monástica por uma diferença substancial, não só por uma questão de renúncia à possessão material. Clara vai direto às substâncias evangélicas, pobreza para fazer-se “um” no amor com Cristo e com as Irmãs. Clara não pensa em organizar um instituto ou um tipo de vida por meio do qual viver a perfeição evangélica - o que deu vida à instituição monástica. A vida e a espiritualidade das clarissas é fruto do seguimento de Jesus pobre, uma comunidade de irmãs, que vivem “numa união de almas”, a sua vocação de “seguir Cristo pobre e humilde”.
 

 

É um programa extremamente simples: viver e testemunhar Cristo, o Reino já presente entre nós, a Morada de Deus em meio a nós. Testemunhar Cristo pobre e humilde, na união da recíproca caridade, que é vínculo de perfeição. Na medida em que se vive este programa evangélico, se delineia a função

 

contemplativa que a Ordem das Clarissas desenvolve no seio da Igreja e pela Igreja inteira, na família franciscana e clariana.
 

Estritamente claustral, desde o seu início, a Ordem realiza sua função contemplativa, a serviço da Igreja e do mundo.
 



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